6# ARTES E ESPETCULOS 12.2.14

     6#1 TELEVISO  CABEA NAS NUVENS
     6#2 TELEVISO  BEIJINHO NO OMBRO
     6#3 MSICA  FREVO EXPORTAO
     6#4 CINEMA  MESTRE X DISCPULO
     6#5 CINEMA  O MAIOR ROUBO DA HISTRIA
     6#6 VEJA RECOMENDA
     6#7 OS LIVROS MAIS VENDIDOS
     6#8 J.R. GUZZO  OUTRAS PERGUNTAS

6#1 TELEVISO  CABEA NAS NUVENS
Ao mesclar uma conspirao demonaca  Guerra da Independncia americana, Sleepy Hollow comprova: as novas sries fantsticas reinventaram a arte de vender o absurdo.
MARCELO MARTHE

     Os ingleses no foram os nicos inimigos enfrentados pelo general George Washington (1732-1799) na Guerra da Independncia dos Estados Unidos. Um dos "pais fundadores" da ptria, o futuro primeiro presidente americano lutava na verdade contra um mal muito maior: as foras demonacas comandadas por uma entidade chifruda de origem primitiva conhecida como Moloch. Mais que o destino de uma nao, o que estava em jogo ali era o futuro da humanidade. Em seu favor, Moloch contava com um emissrio terrvel: a Morte, um dos quatro cavaleiros do Apocalipse, cerrava fileiras com os opositores da independncia, disfarada de mercenrio a servio da Coroa inglesa. S que seus planos foram frustrados por um golpe de espada. O oficial Ichabod Grane (Tom Mison) sofre um ferimento fatal ao duelar com o cavaleiro  mas, antes de cair morto, ceifa a cabea de seu oponente sobrenatural. Quase dois sculos e meio depois, eis que Grane ressuscita nos dias atuais para de novo combater sua nmese  a qual, como j se saber a esta altura da srie Sleepy Hollow,  o Cavaleiro sem Cabea, personagem celebrizado em um conto de Washington Irving no sculo XIX e tema de um filme dirigido por Tim Burton em 1999. Ichabod Grane engalfinha-se, ainda, com outras figuras tenebrosas enviadas por Moloch ao lugarejo pacato onde se dar a batalha derradeira entre o Bem e o Mal. Nessa cruzada, seu guia  uma Bblia que contm instrues deixadas pelo general George Washington em pessoa. Se o leitor chegou at aqui meio zonzo com as licenas perpetradas pelos roteiristas da srie que estreou no Brasil na semana passada, na Fox, respire fundo, porque h muito mais: da maonaria s bruxas de Salem, qualquer coisa parece caber neste caldeiro. O diabo  que uma receita que tinha tudo para desandar at que se revela saborosa. Sleepy Hollow  daquelas bobagens que causam dependncia. Seu sucesso atesta como um gnero que andava apagado na televiso  a fantasia  se reformulou para restabelecer a sintonia com a audincia. 
     Os sinais de que o ambiente se tornou propcio para a proliferao de uma nova cepa de sries fantsticas esto no ar h algum tempo. A chamada "nebulosa mstico-esotrica"  saco de gatos em que se misturam desde o interesse por cultos de magia negra at certa fico de vis ocultista sobre a religio e a histria  teve seu potencial fermentado por fenmenos como a saga Harry Potter, os best-sellers de Dan Brown e a franquia Crepsculo. Na prpria TV americana, alis, sries como Mdium e Supernatural j se haviam beneficiado desse apetite. Mas o que se v agora  o surgimento de uma teledramaturgia que busca condensar tantas coisas difusas em um s produto e, assim, extrair o mximo proveito de seu poder de atrao sobre o pblico. O espectador gosta de contos de fadas? Em Once Upon a Time (Era uma Vez), ele pode se esbaldar: cacos das histrias de Branca de Neve, Cinderela e Pinquio se mesclam a uma trama contempornea sobre amor e amizade  combinao que equivale a jogar o sapo n'gua para quem deseja atingir a juventude do sexo feminino. Seu derivado Once Upon a Time in Wonderland  assim como o original, exibido no Brasil pelo Sony  comete uma heresia de fazer o autor do clssico Alice no Pas das Maravilhas, Lewis Carroll (1832-1898), revirar-se na tumba: a menina Alice virou uma adolescente namoradeira e se envolve com um gnio da lmpada. 
     Se o espectador procura terror gtico, estar igualmente bem servido (ou, dependendo do ponto de vista, bem lascado). Grimm, do Universal Channel, tambm se vale de um enredo moderno calcado em contos de fadas. Mas puxa a coisa para o lado sombrio (e nem to conhecido) das histrias dos irmos Jacob (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859), Lost Girl, que acaba de migrar do canal Sony Spin para o AXN em razo de seu sucesso entre os adolescentes brasileiros, consegue o feito de ser uma srie amena protagonizada por um demnio. A herona Bo (Anna Silk)  um scubo, entidade malfica que suga a energia dos seres humanos durante o ato sexual. Renunciando  maldade, ela se alia s suas potenciais vtimas  e sem fazer discriminao de gnero: Bo  bissexual. A televiso oferece fantasia tambm para quem busca algo mais hardcore. American Horror Story, do FX, narra uma histria diferente a cada leva de doze a treze episdios  e sua audincia aumentou em dois teros ao investir num tema caro ao pessoal da Nova Era: a bruxaria. Em sua terceira temporada, intitulada Coven (Concilibulo), os endiabrados roteiristas Ryan Murphy e Brad Falchuk puseram em circulao uma estirpe de feiticeiras de Nova Orleans que remonta aos tempos coloniais. Com suas bruxas vidas por sexo e poder, Coven  uma via inslita, mas surpreendentemente bem-sucedida, para falar sobre emancipao feminina e racismo. 
     O apelo  magia  o elemento unificador mais bvio de atraes com temas e tons to distintos. Mas, da presena incendiria do mal  enxurrada de referncias literrias, as novas sries fantsticas comungam de outros ingredientes (veja o quadro abaixo). A propsito: a alquimia resultante da tem um vis meio esprita. Em Once Upon a Time, Branca de Neve e a bruxa m saem do plano temporal indefinido dos contos de fadas rumo a uma cidadezinha americana atual. Ali, elas encarnaro personagens diferentes, mas continuaro acorrentadas a seu carma. Coisa parecida se aplica a Sleepy Hollow: ao ressuscitar, Ichabod Grane descobre que no passado j era ligado a figuras do presente como sua 
     
     parceira Abbie Mills (Nicole Beharie). Nessa salada do historiador doido, tambm h espao para ordens de bruxaria que lutam em lados opostos na Guerra da Independncia americana. A mulher do heri  uma feiticeira "do bem" condenada a vagar num umbral semelhante ao descrito nos livros do mdium brasileiro Chico Xavier. 
     No basta, porm, jogar tudo num caldeiro para produzir uma fantasia de sucesso. Uma regra fundamental do gnero reza o seguinte: por mais absurda que se revele a histria, sua harmonia depende de determinados cdigos internos que no podem ser pervertidos, sob pena de incorrer no descrdito da plateia. Tome-se, para citar outra precursora importante dessa seara, Lost. Na srie de J.J. Abrams, o momento surreal em que um urso-polar surge numa ilha tropical deserta foi um exemplo do risco embutido em toda trama fantstica: o que garante, afinal, que o espectador vai aceitar uma premissa to sem p nem cabea? Lost se safou do risco de botar um urso na praia, mas em temporadas seguintes cruzou perigosamente a fronteira do tolervel. No caso de Sleepy Hollow, a pea de resistncia  a autoironia: os roteiristas no tm medo de rir e apontar o ridculo de seu prprio nonsense. Ichabod Grane anda tranquilo pelos Estados Unidos de hoje metido em seu jaqueto esfarrapado de combatente do sculo XVIII. Tudo bem: com a cabea nas nuvens, o distrado espectador nem liga. 

ALQUIMIA RENOVADA
Os quatro elementos que compem as novas sries de fantasia.

TERRA
Confuses do espao-tempo
A histria tem um p na atualidade e outro no passado, em tramas paralelas que geralmente se passam num s lugar. Mesmo quando o mote histrico  real, os fatos ganham dimenses fantsticas. Ex-oficial da Guerra da Independncia dos Estados Unidos, Ichabod Grane (Tom Mison), protagonista de Sleepy Hollow, ressuscita no presente para continuar uma guerra contra o demnio iniciada no sculo XVIII.

GUA
Enxurrada de referncias 
Os roteiros investem numa miscelnea de fontes literrias e mitolgicas. Em Sleepy Hollow, cabem do poema Paraso Perdido, do ingls John Milton (1608-1674), a uma criatura do folclore judaico como o Golem. Once Upon a Time faz um catado de contos de fadas, e em seu derivado Once Upon a Time in Wonderland a Alice de Lewis Carroll enamora-se de um gnio da lmpada.

AR
Mulheres ditam o rumo dos ventos
Para o bem ou para o mal, so as personagens femininas que carregam o piano. O heri de Sleepy Hollow encontra na policial Abbie Mills (Nicole Beharie) seu pilar moral. E American Horror Story: Coven tem como lastro a interpretao matadora (em mais de um sentido) de Jessica Lange como Fiona, bruxa poderosa atormentada pela decadncia fsica.

FOGO
Presena incendiria do mal
A perfdia ganha registro ameno na figura da bruxa que aprisionou os personagens de Once Upon a Time, ou na adolescente que descobre ser um scubo, forma de demnio feminino, na juvenil Lost Girl. Mas pode assumir uma feio gtica (e bem adulta) no demnio chifrudo de Sleepy Hollow ou nas bruxas facnoras e ninfomanacas de American Horror Story: Coven 


6#2 TELEVISO  BEIJINHO NO OMBRO
A primeira cena gay explcita em uma novela da Globo resultou de uma trama construda com sensibilidade. Mas quem decidiu que era hora de quebrar o tabu foi o pblico.

     Na manh da sexta-feira 31, uma reunio secreta selou o final feliz do romance entre Flix (Mateus Solano) e Niko, o Carneirinho (Thiago Fragoso), casal homossexual de Amor  Vida. O autor Walcyr Carrasco e a direo do folhetim se encontraram nos estdios da Globo, no Rio de Janeiro, para decidir qual a verso mais adequada de uma cena fadada a ser pioneira: o primeiro beijo gay das novelas da emissora. Realizada na tarde anterior ao ltimo captulo de Amor  Vida, a gravao foi cercada de cuidados. Os atores e o diretor Mauro Mendona Filho receberam um roteiro cifrado, em que asteriscos indicavam o instante do beijo. Trs opes foram submetidas  eleio final. Uma delas mostrava s uma bicota discreta, o que foi considerado uma soluo covarde. Outra, ao contrrio, era muito apimentada. A cena que acabou indo ao ar ocupava a coluna do meio em ousadia. Na sada de Carneirinho para o trabalho, Flix o puxou pelo brao e os dois trocaram palavras apaixonadas. Seguiu-se um longo beijo na boca, em close, mas com um toque pudico de novela  moda antiga  ou " la Tarcsio Meira", nas palavras de Mendona Filho: os lbios dos dois se tocavam cerrados. "Queramos um beijo de amor dentro de um contexto familiar", diz Carrasco. Decalcada de Morte em Veneza, filme de 1971 do italiano Luchino Visconti, a cena em que Flix se reconciliou com o pai, Csar (Antonio Fagundes), foi a sequncia perfeita para coroar essa inteno. 
     Visto por 44 milhes de pessoas, o beijo gay quebrou um tabu. "No  de hoje que autores escrevem o tal beijo e so obrigados a cort-lo", diz um  noveleiro. A cena foi um desdobramento natural da presena crescente do tema nas novelas. Os atores  sobretudo Mateus Solano  tambm tiveram parte fundamental em sua concretizao. Flix era um vilo, mas seu sucesso at entre as crianas abriu caminho para a redeno. O resgate se deu pelas mos de Niko  ao qual Fragoso imprimiu o ar doce de uma mocinha clssica. "O beijo gay foi feito sem frescura por dois atores talentosos e muito  vontade um com o outro", diz Mendona Filho. 
     O tabu no foi quebrado por deciso unilateral da Globo, nem por desejo do autor.  o pblico que determina a hora de dar um passo assim. Os tabus, alis, tm dinmica curiosa. Na Grcia antiga, relaes homossexuais eram enaltecidas. No Brasil, a tolerncia vem aumentando  mesmo que isso no implique garantia de que se vo aceitar ousadias maiores. No  toa, ao levar a ideia  Globo, Carrasco obteve o "sim". Para a emissora, foi uma tacada esperta, capaz de tir-la da defensiva nas cobranas da militncia gay. Como diz a letra do funk, foi um beijinho no ombro das invejosas de planto. 
MARCELO MARTHE


6#3 MSICA  FREVO EXPORTAO
A frente da orquestra que leva seu nome, o maestro Spok modernizou o gnero pernambucano  que saiu do Carnaval de rua para ganhar as salas de concerto.

     Quando criana, o pernambucano Inaldo Cavalcante de Albuquerque queria ser repentista. O frevo at fazia parte de seu dia a dia musical  principalmente no perodo carnavalesco, quando seu pai tocava as msicas dos grandes maestros do gnero , mas ele preferia as canes de Luiz Gonzaga. Foi no ensino mdio que Cavalcante (apelidado de Spock, referncia ao personagem da srie Jornada nas Estrelas, por causa das orelhas grandes) tomou gosto por aquele ritmo frentico, ao estudar msica com um maestro que cultivava o gnero. No mesmo perodo, adotou o saxofone como instrumento. Hoje,  impossvel falar em frevo sem mencionar Spok (agora sem o c) e sua Frevo Orquestra. Um dos responsveis pelo rejuvenescimento do gnero, ele est lanando Ninho de Vespa, seu segundo disco de estdio, no qual faz um intercmbio com compositores de outros estados  como os cariocas Dori Caymmi, Paulo Csar Pinheiro e Hamilton de Holanda, o paulista Nelson Ayres e o alagoano Joo Lyra. Ninho de Vespa tem momentos luminosos, como o piano Rhodes incendirio de Jovino dos Santos Neto em Comicho, as brincadeiras de andamento propostas pelo bandolinista Hamilton de Holanda em T Achando que T Devagar e o virtuoso solo de baixo na faixa-ttulo, cantada por Dori Caymmi. 
     Surgido no Recife no sculo XIX, o frevo caracteriza-se pelo ritmo acelerado. O passo da dana tem origens na capoeira, que era usada nas brigas entre blocos rivais. Nos anos 1930, o frevo disseminou-se por outras regies brasileiras e passou a fazer parte no apenas dos blocos carnavalescos, mas tambm do repertrio das emissoras de rdio do pas. A SpokFrevo Orquestra, por sua vez, levou o frevo para os teatros e para as salas de concerto. Os dezoito instrumentistas do grupo se vestem como integrantes de uma big band de jazz; a exemplo do gnero americano, a msica de Spok abre espao para improvisaes. Mas, ao contrrio do frevo de rua, ela no permite a presena de sombrinhas e danarinos. "Certa vez, em uma apresentao em So Paulo, um danarino subiu no palco. O pblico mandou que ele ficasse em silncio porque queria prestar ateno ao desempenho dos msicos", diz Spok. 
     O maestro pernambucano tambm est trabalhando na realizao do documentrio Sete Coraes, com entrevistas de sete grandes maestros de frevo. E em outubro a SpokFrevo Orquestra vai se apresentar no Lincoln Center de Nova York. O convite, prestigioso, veio do diretor artstico da instituio, o trompetista Wynton Marsalis. Diz Spok: "Fomos tocar no Festival de Jazz de Marciac, na Frana. Depois do show, algum me deu uma gravata, de brincadeira. Era o Wynton, maravilhado com o que tinha visto"  e, sobretudo, ouvido. 
SRGIO MARTINS


6#4 CINEMA  MESTRE X DISCPULO
Martin Scorsese  a grande inspirao do diretor David O. Russell em Trapaa  mas  o seguidor, no o precursor, quem deve papar os Oscar deste ano.
ISABELA BOSCOV

     Trapaa (American Hustle, Estados Unidos, 2013), j em cartaz e na liderana das indicaes ao Oscar ao lado de Gravidade (cada um concorre em dez categorias),  um dos bons trabalhos da carreira de Martin Scorsese  exceto pelo fato de que no  Scorsese quem o dirige. Em uma homenagem franca, o diretor David O. Russell reconstitui, com cenrios figurinos exuberantes, uma curiosa investigao conduzida pelo FBI na dcada de 70. Seguindo caminhos tortuosos, a operao Abscam (de "Arab scam", ou "golpe do rabe") levou  Justia um punhado de polticos, alguns deles de grosso calibre, que acreditavam estar recebendo "incentivos" de um xeique  um impostor  para fazer obras de agrado do eleitorado. Como nos filmes de Scorsese, a mecnica dessa armao so os ossos e os msculos da histria: narrada em detalhes vivos e ritmo intoxicante, ela lana a plateia em um mundo cuja lgica no  a deste  e  ainda mais rebuscada. O corao dessa criatura, porm,  bem outro: o louco amor entre Irving Rosenfeld, golpista por vocao e convico, e Sydney Prosser, a mulher descontente, desejosa de inventar para si uma outra vida, que se incendeia desde o momento em que o conhece numa festa. Irving cobre a careca com um penteado to laborioso quanto ridculo, tem um barrigo, usa jias vulgares. Mas, sendo ele interpretado pelo magnfico Christian Bale, no h como duvidar de que a fogosa e complicada Sydney (a igualmente formidvel Amy Adams) se apaixonaria por ele no primeiro instante, enquanto Duke Ellington rola na vitrola: este  um encontro de almas. 
     Irving e Sydney se completam, tambm, profissionalmente. Juntos, bolam um esquema para pescar lambaris: ela se finge de aristocrata inglesa (eles esto em Nova Jersey, onde pouca gente saberia dizer que cara tem um aristocrata) amiga de banqueiros; os otrios entregam dinheiro  dupla para receber uma bolada mais adiante; e quando o dinheiro some o cliente no pode reclamar, porque sabia estar fazendo algo ilegal. Um desses sujeitos ansiosos desperta a desconfiana de Irving. Sydney, porm, decide ir em frente. Pssima ideia: o sujeito  na verdade Richie DiMaso (Bradley Cooper), um desequilibrado agente do FBI  cata de um caso que avance sua carreira. Sob pena de priso, Irving e Sydney so obrigados a aplicar seu esquema a armaes ainda mais vultosas e escusas do que as suas prprias. E o rolo vai crescendo, e envolvendo a neurtica mulher de Irving (Jennifer Lawrence, divertidssima), e um prefeito muito popular (Jeremy Renner), e outros escales do FBI, e a mfia  muito bem representada por Robert De Niro, o ator-assinatura de Scorsese durante duas dcadas e o intrprete cujo apetite David O. Russell reacendeu em O Lado Bom da Vida. 
     A inspirao ntida  a obra-prima Os Bons Companheiros, de 1990  alis, a fonte que o prprio Scorsese foi revisitar no excelente O Lobo de Walt Street, este com cinco indicaes ao Oscar e boa probabilidade de perd-las para Trapaa. Que ironia.  fcil entender o poder de seduo de Trapaa: ele tem cara de filme de Scorsese, mas sua alma  como a dos filmes anteriores de O. Russell, O Vencedor e O Lado Bom da Vida  so os personagens.  deles a primazia, e tudo est submetido ao seu imperativo: argumento, lgica, contedo. Mas, como O. Russell verdadeiramente entende de atores (e como entende de atrizes!), ele conseguiu trazer para c, de seus ltimos trabalhos, um elenco superlativo. Trapaa fervilha na tela com as vastas reservas de talento e a estupenda qumica de Amy, Bale, Jennifer, Cooper e Renner. Sentido, de fato, h muito menos aqui que em O Lobo de Wall Street. Prazer dos sentidos, no entanto, esse no falta. 

AS INDICAES
Filme 
Diretor (David O. Russell) 
Ator (Christian Bale) 
Ator coadjuvante (Bradley Cooper)
Atriz (Amy Adams)
Atriz coadjuvante (Jennifer Lawrence)
Roteiro original
Montagem
Desenho de produo
Figurino


6#5 CINEMA  O MAIOR ROUBO DA HISTRIA
Em Caadores de Obras-Primas, de George Clooney, como um grupo salvou milhes de obras de arte sequestradas por Adolf Hitler.
ISABELA BOSCOV

     Em 6 de abril de 1945, soldados americanos deram carona a duas mulheres perto da cidadezinha alem de Merkers  e, por meio delas, descobriram que uma mina de sal por onde haviam passado no caminho abrigava quantidades colossais de ouro e de obras de arte. O ouro somava algo como 15 bilhes de dlares em valores atuais. Era o grosso da reserva com que Hitler vinha financiando a guerra, e ganhou todas as manchetes. A arte recuperada da mina de Merkers e de outras minas, como a de Altaussee, na ustria, porm, ultrapassa qualquer valor calculvel. Entre os itens roubados pelos nazistas de museus e igrejas de pases ocupados e das casas e colees particulares de judeus deportados esto preciosidades como o polptico do sculo XV que adorna o altar da Catedral de So Bavo, na cidade belga de Ghent; uma Madona com o Menino Jesus esculpida por Michelangelo e pertencente  Igreja de Nossa Senhora, na tambm belga Bruges; a magnfica tela O Astrnomo, de Johannes Vermeer; a obra-prima impressionista No Jardim de Inverno, de Manet; e outros 5 ou 6 milhes de itens de maior ou menor importncia. No fossem casualidades como a daquela carona e, por outra parte, os esforos concentrados de um punhado de homens e mulheres, boa parte daquilo que de mais belo a civilizao produziu teria desaparecido: com a derrota consumada e os planos de um gigantesco museu de arte em Linz arruinados, os nazistas pretendiam dinamitar as minas, separando a humanidade de seus tesouros para sempre. 
 essa a histria que conta Caadores de Obras-Primas (The Monuments Men, Estados Unidos/Alemanha, 2014), adaptado do livro-reportagem homnimo de Robert M. Edsel (publicado aqui pela Rocco) e em cartaz no pas a partir desta sexta-feira: a histria de como um sujeito convenceu o comando americano a deix-lo formar um grupo para proteger a arte da Europa antes que os prprios aliados dinamitassem tudo em suas ofensivas, e de como receberam a ajuda decisiva de uma francesa que vinha arriscando a prpria vida para salvaguardar o butim retirado de seu pas. Quinto trabalho na direo de George Clooney, este  tambm o mais irresoluto deles: tateia entre a comdia e o drama e no raro deixa o espectador meio perdido. Formados por curadores, artistas, arquitetos e historiadores (e interpretados por atores como o prprio Clooney mais Matt Damon, Bill Murray, John Goodman, Hugh Bonneville, Jean Dujardin e Bob Balaban), os "monuments men" se dispersaram por vrios pontos do continente a fim de surtir o mximo de efeito  e, por falta de carpintaria no roteiro, nem sempre  fcil entender quem est onde. O filme tem, porm, o mrito inegvel de recuperar episdios menos conhecidos da II Guerra mas nem por isso menos relevantes. Como a atuao de Rose Valland (aqui chamada Claire Simone e vivida por Cate Blanchett), curadora do museu Jeu de Paume de Paris, que fingiu colaborar com os nazistas para anotar s escondidas tudo o que estava sendo roubado e para onde as obras estavam sendo despachadas. Graas a pessoas como Rose, obras como as citadas antes puderam ser restitudas. Outras provavelmente ainda existem, mas seu paradeiro  desconhecido:   Retrato de um Jovem, do mestre renascentista Rafael,  o exemplo mais clebre. Algumas foram (e outras so ainda) objeto de duros litgios, como Retrato de Adele Bloch-Bauer I, do austraco Gustav Klimt. E muitas outras jamais sero vistas de novo: foram destrudas pelos nazistas, por serem consideradas fruto do que Hitler via como a "degenerao" judaica ou ocidental. Novas descobertas continuam a vir  tona: em 2011, investigadores alemes encontraram mais de 1400 tesouros, incluindo telas de Matisse, Chagall e Picasso, num apartamento de Munique pertencente ao filho de um marchand amigo do ministro nazista da Propaganda, Joseph Goebbels. Mas os especialistas crem que ainda h 100.000 obras por localizar  e a histria prossegue. 
     George Clooney e seu elenco falam em vdeo sobre Caadores de Obras-Primas em VEJA.com. 

CAA AO TESOURO
O destino de algumas das grandes obras afanadas pelos nazistas de instituies ou das colees particulares de judeus deportados. 

PERDIDA 
Especialistas crem que Retrato de um Jovem, leo sobre madeira de Rafael roubado de um museu de Cracvia, na Polnia, ainda existe. Mas no h nenhuma pista de seu paradeiro.  a obra mais procurada de todas at hoje.

RECUPERADA E DISPUTADA 
Retrato de Adele Bloch-Bauer I, de Klimt, foi confiscada da coleo do marido da retratada. Como no saiu da ustria, o pas reclamou-a para si. A briga arrastou-se at os anos 2000, quando a obra foi devolvida aos herdeiros de Bloch-Bauer e vendida. 

RECUPERADA E DEVOLVIDA 
A Madona de Bruges, esculpida por Michelangelo por volta de 1501, segue um estilo diverso das representaes feitas antes pelo artista. Foi encontrada na mina de sal de Altaussee, na ustria, e restituda  igreja da qual sara. 


6#6 VEJA RECOMENDA
DVDs
COM A MALDADE NA ALMA (HUSH... HUSH, SWEET CHARLOTTE, ESTADOS UNIDOS, 1964. CLASSICLINE) 
 Dois anos depois do espalhafatoso sucesso de O que Ter Acontecido a Baby Jane?, o diretor Robert Aldrich decidiu repetir a frmula sensacionalista de colocar dois monstros sagrados de Hollywood em uma trama de rivalidade familiar, loucura e terror. Bette Davis mais uma vez  a estrela  novamente com a aparncia de bruxa envelhecida  em um embate com a suave Olivia de Havilland (substituindo Joan Crawford, que adoeceu no incio das filmagens). Em uma manso decadente do sul dos Estados Unidos, elas so as primas Charlotte e Miriam. A primeira  mentalmente desequilibrada por conta do crime que teria cometido na juventude, e a outra  a dama que chega para convencer a parente enlouquecida a abandonar a casa, desapropriada para a construo de uma estrada. O hbil artesanato de Aldrich e o roteiro mirabolante garantem o interesse e a diverso para o pblico atual. 

A FORA DO CARINHO (TENDER MERCIES, ESTADOS UNIDOS, 1983. CLASSICLINE) 
 No  nada auspiciosa a entrada de Mac Sledge (Robert Duvall) na vida de Rosa Lee (Tess Harper) e seu filho pequeno: no motelzinho que a jovem viva mantm numa estrada do Texas, Mac bebe at desmaiar e acorda sem um tosto. Em troca da hospedagem, comea a trabalhar. E reencontra o prumo, para de beber  e apaixona-se por Rosa Lee, que concorda em se casar com ele. Mac, porm, tem demnios insistentes: foi uma lenda do country que perdeu o dinheiro, a mulher (que continua fazendo sucesso como cantora) e a filha por causa do lcool e do temperamento violento. E,  medida que o desejo de compor retorna, voltam tambm as assombraes do passado. Quieto e discreto, este  o melhor filme da carreira de Bruce Beresford,   de Conduzindo Miss Daisy. Merecidamente, rendeu o Oscar a Duvall, um dos atores de melhor aproveitamento, por assim dizer, do cinema: com um dcimo da "atuao" que outros intrpretes julgariam necessria, ele alcana o dobro do efeito. 

DISCO 
PLANET OF THE ABTS (ROCK COMPANY/MUSEU DO DISCO) 
 Matt Abts (bateria) e Jorgen Carlsson (baixo) so integrantes do Gov't Mule, uma das autoridades do rock sulista americano. Trs anos atrs, eles se uniram ao guitarrista T-Bone Andersson e criaram um projeto paralelo, o Planet of the Abts, cujo   disco de estreia acaba de ser lanado no Brasil. H poucas  porm determinantes  diferenas entre esse grupo e o emprego oficial de Abts e Carlsson. Se no Gov't Mule eles vo do rock  soul music e ao reggae, no Planet of the Abts eles pendem mais para o blues pesado e o hard rock, como se ouve em Anything You Want It to Be e Deep Into Self. Por vezes, h toques de msica psicodlica (Planet Pt. 1 e Trying to Be Myself). No Gov't Mule, Abts e Carlsson jogam mais para o time do que para a torcida, "fazendo a cama" para os solos de outros msicos. Mas em Planet of the Abts eles se permitem alguns voos, seja em discretos solos de bateria (Planet Pt. 2) ou na presena acentuada do baixo (Circus). 

LIVRO 
JACQUES HENRI LARTIGUE, A VIDA EM MOVIMENTO (IMS; 263 PGINAS; 150 REAIS) 
 Filho da alta burguesia francesa, Jacques Henri Lartigue (1894-1986) ganhou uma mquina fotogrfica aos 7 anos. O inusitado presente acabou se tornando um companheiro para a vida toda. Durante mais de sete dcadas, Lartigue fez um registro vibrante  principalmente em preto e branco  de vida familiar, crnica de costumes, esportes, retratos e moda, sempre fiel  ideia de que "fotografar  como tentar apanhar uma borboleta em pleno voo". As exuberantes imagens de Lartigue revelam a viso nica de um homem interessado nas novidades de seu tempo e dedicado ao hedonismo sem culpa de sua classe. Com textos da curadora Martine D'Astier, do historiador Michel Frizot e da fotgrafa Shelley Rice, o livro acompanha a mostra de mesmo ttulo que fica em cartaz no Instituto Moreira Salles, em So Paulo, at 25 de maio. Os 225 instantneos reunidos no volume ilustram de maneira eloquente a mxima do fotgrafo: "A vida  essa coisa maravilhosa que dana, pula, voa, ri e passa".  

*OS MAIS VENDIDOS VEJA 
 Nascido no Chade, filho de um suo e uma brasileira, Pedro Gabriel tinha 12 anos quando se radicou no Rio de Janeiro. Demorou a aprender o portugus, mas hoje est bem integrado  vida bomia da cidade. Frequentador de um restaurante tradicional no Flamengo, foi l que, enquanto esperava o garom servir seus sanduches de rosbife com queijo, comeou a esboar frases e desenhos no guardanapo. Postados nas redes sociais, seus rabiscos fizeram sucesso: hoje, sua pgina no Facebook  seguida por mais de 500.000 pessoas. Eu Me Chamo Antonio (Intrnseca; 192 pginas; 29,90 reais), o quarto lugar na lista de autoajuda desta semana,  a reunio das frases que Pedro traa com certo jeito de grafite (muitas so ilegveis, o que  remediado por transcries em tipografia convencional no fim do livro). Metidas a inspiradoras, as frases seguem uma certa trama de fundo, com um personagem chamado Antonio. Em dois meses, vendeu 70.000 exemplares. Pedro Gabriel define-se como "desenhador de palavras". De longe, o livro at lembra Um Dia "Daqueles", bestseller com frases bobinhas de Bradley Trevor Greive  s que, no lugar das fotos de bichos fofos de Greive, aqui aparecem os grafismos de Pedro Gabriel. 
BRUNO MEIER 

6#7 OS LIVROS MAIS VENDIDOS
FICO
1- A Culpa  das Estrelas. John Green. INTRNSECA
2- A Menina que Roubava Livros. Markus Zusak. INTRNSECA
3- A Esperana. Suzanne Collins. ROCCO
4- Jogos Vorazes. Suzanne Collins. ROCCO
5- Em Chamas. Suzanne Collins. ROCCO
6- Cidades de Papel. John Green. INTRNSECA 
7- O Teorema de Katherine. John Green INTRNSECA 
8- Fim. Fernanda Torres. COMPANHIA DAS LETRAS 
9- Quem  Voc, Alasca? John Green. MARTINS FONTES 
10- Pea-Me o que Quiser ou Deixe-Me. Megan Maxwell. SUMA DE LETRAS

NO FICO
1- Nada a Perder 2. Edir Macedo. PLANETA
2- Assassinato de Reputaes. Romeu Tuma Jr. TOPBOOKS 
3- Demi Lovato  365 Dias do Ano. Demi Lovato. BEST SELLER
4- 1889. Laurentino Gomes. GLOBO 
5- Sonho Grande. Cristiane Corra. PRIMEIRA PESSOA
6- Eu Sou Malala. Malala  Yousafzai. COMPANHIA DAS LETRAS 
7- 1808. Laurentino Gomes. PLANETA
8- A Estrela que Nunca Vai Se Apagar. Esther Earl. INTRNSECA
9- Para Sempre. Kim e Krickitt Carpenter. NOVO CONCEITO
10- Operao Banqueiro: as Provas Secretas do Caso Satiagraha. Rubens Valente. GERAO EDITORIAL 

AUTOAJUDA E ESOTERISMO
1- Ansiedade. Augusto Cury. SARAIVA
2- Kairs. Padre Marcelo Rossi. PRINCIPIUM 
3- Eu No Consigo Emagrecer. Pierre Dukan. BEST SELLER
4- Eu Me Chamo Antonio. Pedro Gabriel. INTRNSECA 
5- Casamento Blindado. Renato e Cristiane Cardoso. THOMAS NELSON BRASIL 
6- Foco. Daniel Goleman. OBJETIVA 
7- O que Realmente Importa? Anderson Cavalcante. SEXTANTE
8- O Monge e o Executivo. James Hunter. SEXTANTE
9- O Mtodo Dukan - Eu No Consigo Emagrecer. Pierre Dukan. BEST SELLER 
10- O Encontro Inesperado. Zibia Gasparetto. VIDA & CONSCINCIA 


6#8 J.R. GUZZO  OUTRAS PERGUNTAS
     Encaminhamos  apreciao das autoridades federais, novamente, algumas perguntas sobre questes de possvel interesse para o leitor. Como costuma acontecer, no vir nenhuma resposta, mas  dever desta revista fazer o que pode, mesmo sabendo que o governo no reconhece a existncia no Brasil de cidados capazes de ter dvidas  brasileiros que terminaram o ensino bsico, pensam com a prpria cabea e podem, eventualmente, no entender direito que diabo est acontecendo com seu pas. 
     
 Por que o governo continua a olhar sem fazer nada, como se o fato estivesse acontecendo na Transilvnia, o estelionato praticado sistematicamente contra o trabalhador brasileiro pelas altas autoridades que decidem qual  o saldo que ele tem, ao fim de cada ms, no Fundo de Garantia? Ao longo dos ltimos quinze anos, cerca de 20% do dinheiro que os trabalhadores tm no FGTS sumiu, mastigado por clculos de reajuste que sempre ficam abaixo da inflao. O Partido dos Trabalhadores, a esse respeito, j teve onze anos inteiros para fazer alguma coisa a favor dos trabalhadores. No fez. Por qu?  
 Os jornalistas Gustavo Patu e Mario Kanno, do blog Dinheiro Pblico & Cia, tiveram a pacincia de ler do comeo ao fim a ata que o Banco Central soltou depois de sua ltima reunio, no fim de janeiro. Chegaram a uma concluso assombrosa: os dirigentes do BC precisaram escrever nada menos de 74 pargrafos para explicar por que subiram a taxa de juro em 0,5 ponto percentual. Embora o idioma oficial do Brasil seja o portugus, a maior parte do texto era ocupada por frases como a seguinte: "O Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condies monetrias ora em curso". Ou: "No obstante a concesso neste ano de reajuste para o salrio mnimo no to expressivo quanto em anos anteriores, bem como a ocorrncia nos ltimos trimestres de variaes de salrios mais condizentes com as estimativas de ganhos de produtividade do trabalho, o Comit avalia que a dinmica salarial permanece originando presses inflacionrias de custos". Se era para ningum entender nada, por que escrever tanto? 
 Haveria alguma explicao lgica para a presidente da Repblica anunciar a "construo de 6000" creches e, ao fim do prazo fixado para isso, entregar s 1000? Ou, pior ainda, por que Dilma prometeu um ano atrs construir "mais de 880 aeroportos regionais", como lembrou h pouco o colunista Lauro Jardim, de VEJA, e conseguiu a proeza de no entregar nenhum  um s que fosse? Como se pode explicar, mesmo para uma classe do 1 ginasial, que um governo com um mnimo de amor-prprio cometa erros to grosseiros assim? Dilma tambm prometeu ferrovias que no vai entregar, e guas que no vai transpor, nem do So Francisco nem de lugar nenhum. "Falta de dinheiro"  a resposta comum em todos esses casos. Mas ento por que, se o dinheiro est to escasso, o governo paga 54.000 reais por ms de aluguel para dar um teto ao seu diplomata-mor em Nova York? 
 O Brasil, como j se estima h bom tempo, deve ter uma safra recorde de 90 milhes de toneladas de soja em 2014. Tambm j se sabe que mais de 20% desse total ser simplesmente jogado no lixo, porque os portos brasileiros no tm condies de escoar uma produo de tamanho volume. Por que, sabendo perfeitamente disso tudo, o governo aplicou miserveis 15 milhes de dlares em seus portos em todo o ano de 2013  contra, por exemplo, 1,4 bilho de reais gastos para construir o Estdio Mane Garrincha, em Braslia? Pior: por que Dilma deu de presente a Cuba um porto novo em folha, no valor de 1 bilho de dlares, enquanto nossa soja ficar apodrecendo no p? 
 Sabe-se que o bacharel Jos Eduardo Cardozo  ministro da Justia, mas de que pas? Recentemente, comentando os horrores sem paralelo ocorridos na penitenciria de Pedrinhas, no Maranho, ele disse o seguinte: "O sistema carcerrio no Brasil  medieval". E quem  o responsvel por isso? O governo brasileiro, claro, e especialmente a rea dirigida por ele prprio, Cardozo. No d para dizer que a calamidade  o Brasil tem no momento 550.000 presos para 350.000 vagas na cadeia  seja obra das elites de direita: o PT j est h onze anos no governo, e isso  tempo mais do que suficiente para melhorar alguma coisa, por menor que seja, em qualquer situao de catstrofe. De l para c, o ministro no mexeu um palito para eliminar o inferno de Pedrinhas; fez questo, porm, de levar a "solidariedade" do Palcio do Planalto  governadora Roseana Sarney, a quem cabe cuidar do presdio. Por qu? 



